BOMBA: Reunião regada a cerveja na casa de um vereador de Cariacica teria definido nomes para governo Pazolini. Lista inclui ex-prefeito preso pela PF e políticos derrotados nas urnas
Encontro reservado teria antecipado cargos estratégicos para antigos aliados. Magno Malta pode abocanhar duas secretarias e indicações para postos de influência, enquanto Paulo Hartung quer indicar o titular do Desenvolvimento Econômico.
Imagem: Redação Capixaba News
Uma reunião regada a cerveja, música alta e clima de já ganhou, realizada na última semana na residência de um vereador de Cariacica, teria antecipado nomes para o primeiro escalão de um eventual governo Lorenzo Pazolini. Segundo informações de bastidores, o candidato teria apresentado a amigos e aliados uma relação de futuros integrantes de sua administração, tratando algumas indicações como praticamente asseguradas em caso de vitória nas urnas.
A suposta composição chama a atenção pela presença de políticos derrotados nas eleições, um ex-prefeito cassado pela Justiça Eleitoral e outro preso recentemente pela Polícia Federal. As articulações também levantam questionamentos sobre a coerência entre o discurso de defesa da família, da ética e da moralidade e os critérios utilizados para a escolha de integrantes do futuro governo.
Saúde e Turismo: nomes envolvidos em investigações
Para a Secretaria de Saúde, o nome apontado seria o do ex-prefeito de Itapemirim Thiago Peçanha, que teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, por abuso de poder político, com declaração de inelegibilidade por oito anos. O processo envolveu contratações excessivas de servidores e uso irregular da estrutura administrativa durante o período eleitoral.
Na Secretaria de Turismo, o cotado seria Daniel Santana, conhecido como Daniel da Açaí, ex-prefeito de São Mateus, que acumula investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Em 2021, Daniel foi preso durante a Operação Minucius, quando foram encontrados mais de R$ 700 mil em espécie em locais ligados a ele. Em abril de 2026, na Operação Nêmesis, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 86 mil em dinheiro, cerca de R$ 2 milhões em cheques e três veículos.
No mês passado, Daniel voltou a ser preso pela Polícia Federal, durante a Operação Espectro, realizada em seu comitê eleitoral, em São Mateus. Os agentes apreenderam dinheiro em espécie, documentos e aparelhos eletrônicos. A investigação apura suspeitas de crimes eleitorais e lavagem de dinheiro. Daniel foi solto no dia seguinte por decisão do Tribunal Regional Eleitoral, e as investigações prosseguiram.
Para a subsecretaria de Turismo, o nome mencionado seria Evandro Paiva. Informações de bastidores associam seu nome à Operação Olísipo, que investigou fraudes e desvios de recursos públicos em Itapemirim, embora não tenha sido confirmada sua responsabilidade individual nos fatos apurados.
Magno Malta queria três secretarias e cargos estratégicos; Hartung buscaria espaço no Desenvolvimento
Na articulação política, Erick Musso, candidato não eleito a deputado federal em 2026, seria indicado para a Secretaria de Governo. Deosdete, nome ligado ao grupo político do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, ocuparia uma assessoria especial, com forte influência no governo.
Segundo informações de bastidores, o senador Magno Malta queria garantir duas secretarias estaduais, além de indicar nomes para cargos estratégicos em diferentes áreas de um eventual governo Pazolini. Já o ex-governador Paulo Hartung buscaria indicar o futuro secretário de Desenvolvimento Econômico. As articulações apontariam para uma disputa por espaços de influência na estrutura administrativa, embora ainda não tenham sido confirmadas pelos envolvidos.
A lista incluiria ainda Carlos Manato para a Secretaria de Assistência Social e o delegado Romualdo, para a chefia da Polícia Civil. Esse último teve o registro da candidatura negado pela justiça eleitoral, além de processos na corregedoria da Polícia Civil, por ameaçar um colega também delegado.
Moralidade no discurso, acordos nos bastidores
A suposta composição coloca uma questão central: quais critérios estariam orientando a distribuição de cargos estratégicos antes mesmo da definição das urnas?
Entre políticos derrotados, personagens com antecedentes judiciais e grupos interessados em ampliar sua participação no governo, a possível equipe reuniria diferentes interesses políticos, uma disputa interna pelo poder.
O contraste entre o discurso de defesa da família, da ética e da moralidade e as negociações atribuídas aos bastidores coloca em debate o compromisso com a transparência e a capacidade administrativa.
Caso as informações sejam confirmadas, Pazolini terá de explicar à sociedade capixaba os critérios utilizados para entregar áreas estratégicas do Estado a nomes com trajetórias tão distintas e com complicações na justiça, contradizendo o tom da sua campanha.
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